Pequena Flor de Laranjeira

Pequenas crônicas, pequenos contos. Textos semanais. Por Adriana Taets.

Arquivo de cuidado

Catador de lixo

Bastava as pessoas se afastarem e logo ele corria para perto do lixo. Vasculhava, vasculhava, e nada. Carregava consigo uma pequena sacola, vazia, sempre vazia. Os poucos que o percebiam – quem olha para aqueles que vasculham o lixo? – se intrigavam com sua audácia em enfiar a cara inteira no lixo que fosse. Mas ninguém percebia que ele nunca catava nada, nunca achava nada.

Um dia, no entanto, ele encontrou algo num lixo de esquina, pegou o objeto como quem segurava um bebê recém nascido. Colocou na sacola com cuidado de amante. Chegou em casa, depositou o pacote sobre a mesa, se banhou, vestiu roupas limpas, se perfumou, ascendeu o abajour. Abriu o pacote e retirou com o maior amor que podia um coração que fora descartado. Cuidou de suas feridas, envolveu-o em seu colo, chorou sobre as dores que nem imaginava a quem perteciam.

Passado um mês, ele se pôs de vigília sobre o mesmo lixo da esquina. Trazia consigo o coração já saudável, batente, forte. Procurava o dono ou a dona daquele coração. Depois de horas e de uma multidão de pessoas que passaram ali, ele avistou um senhor calvo, idoso, triste. Aproximou-se do homem e lhe entregou o pacote dizendo que aquilo pertencia a ele. O senhor se espantou, abriu o embrulho e viu ali seu próprio coração, recomposto, fortalecido. Já não precisaria mais sofrer. Quando levantou os olhos no intuito de agradecer à alma bondosa que cuidara de seu coração, o homem já não estava mais lá. Ele estava longe, vasculhando outros lixos, à procura de novos corações.

Não empreste seus ouvidos

Essa história que vou contar agora se passou com a minha vizinha. Bem que podia ser uma historinha da Mafalda, ou do Calvin, mas não, é uma história da minha vizinha. Pois a história é a seguinte: minha vizinha se encontrava na igreja e ouviu um bonito sermão do padre (ou seria pastor? Não me lembro…) em que ele dizia que devemos prestar mais atenção ao próximo, que só assim poderíamos contribuir para a construção de um mundo mais amoroso. O que chamou a atenção da minha vizinha foi que, em detrimento do que geralmente se ouve por aí, ou seja, é preciso amar o próximo e ponto, o padre, ou pastor, deu continuidade ao sermão e ofereceu algumas dicas de como prestar mais atenção ao próximo. A principal delas era emprestar o seu ouvido ao próximo, ou seja, ouvi-lo, se interessar pelos seus problemas, procurar saber se está bem, se está feliz, se enfrenta alguma dificuldade e por aí vai.

Minha vizinha, empolgada com as novas dicas de amor ao próximo procurou colocá-las em prática já na segunda feira. Assim que chegou ao trabalho não se limitou a dar bom dia à secretária do escritório, mas aproveitou a oportunidade para perguntar se estava tudo bem com ela, se ela havia conseguido fechar o financiamento na Caixa Econômica para comprar a casa própria (minha vizinha se lembrava de que na semana anterior a secretaria havia faltado ao trabalho para tentar resolver algumas pendências no banco). O rosto da secretária se abriu e ela contou à minha vizinha que ainda estava enfrentando sérias dificuldades, que achava que o gerente do banco estava de marcação com o marido dela, que ficou desempregado por apenas dois meses no ano anterior, mas já estava com carteira assinada e tudo mais. E tem mais, sabe que minha mãe está com um nódulo no seio? Ai, menina, estamos todos tão preocupados, e se for câncer, o que a gente faz? Eu sei, eu sei que agora o SUS oferece tratamento, mas a gente não sabe mais se dá continuidade no financiamento, se espera… minha vizinha olhou para o relógio, a reunião com o chefe começaria dali a pouco. Se foi e deixou a secretária ainda falando do provável câncer da mãe.

Apesar da notícia trista da secretária, minha vizinha ainda tentou emprestar o seu ouvido ao próximo. Perguntou à colega de trabalho como ela estava, se estava se adaptando ao novo tratamento que começara contra a gastrite. Também ali ouviu uma ladainha sem fim com nomes de remédios, endereços de consultórios e clínicas médicas, contra indicações de tudo quanto é tipo, a tristeza pela falta de apoio do namorado, que aliás, estava cada dia mais distante, acho que ele não gosta mais de mim, você acha que ele pode estar se interessando por outra pessoa? Minha vizinha não sabia, não sabia nada, na verdade.

Não era nem meio dia do começo da segunda feira, minha vizinha já se encontrava desanimada. Mas lembrava, de relance, das palavras do padre, ou pastor, e ficava mais convicta que emprestar seu ouvido ao próximo seria a melhor maneira de fazer desse mundo um lugar mais alegre, mais aconchegante. E continou. Até que no fim da semana ela já tinha ouvido sobre os problemas mais diversos, falta de dinheiro, dor de barriga, planos frustrados de viajar nas próximas férias, problemas que o filho tem trazido na escola, o irmão presidiário, o outro viciado, pais se separando, amores se desfazendo, carência, desejo, sonhos que se procura alcançar, pós graduação, demissão, até sobre dinheiro ganho na loteria e perdido no jogo minha vizinha ouviu.

Já na sexta feira, exausta de tanto ouvir, minha vizinha se deu conta de que durante toda a semana ninguém perguntou a ela como se sentia, ninguém se lembrou do seu problema com a avó, internada há tempos e quase se indo, ninguém a convidou para um café nem telefonou perguntando se gostaria de ir ao cinema. Ninguém se ofereceu para ir com ela na audiência de conciliação com a antiga faxineira.

Voltou no final de semana à igreja e lá procurou o padre, ou pastor. Disse que precisava de um ouvido emprestado. Ele então pediu a ela que marcasse um encontro para durante a semana, momento em que exercia a dura tarefa de ouvir os fiéis. Se virou e foi realizar suas tarefas urgentes, sabe como é, irmã, uma igreja inteira para cuidar não é coisa simples.

Sem nem ouvir o sermão, minha vizinha voltou para casa, percebeu a minha luz acesa, tocou a campanhia e me perguntou se poderia conversar. Ouvi dela as histórias da secretária, da colega, da mãe, do eletricista, ouvi ainda as histórias sobre sua avó, ela me contou como foi a audiência de conciliação com a ex-faxineira. Disse ainda que se sentia sozinha e que estava feliz por estar ali, conversando comigo, vizinhas e amigas de tanto tempo. Quando eu ia me levantando em busca de uma garrafa de vinho, para tomarmos juntas e assim eu lhe contaria da promoção que recebi no trabalho, minha vizinha se lembrou que aquele dia precisaria passar no hospital para a troca de plantão, chegaria uma nova acompanhante para a avó e ela precisaria lhe explicar tanta coisa… pediu desculpas por ter de sair às pressas e se foi.

E eu fiquei sozinha, eu e a garrafa de vinho. Sem ouvidos, sem carinho. Quem sabe na volta minha vizinha ainda percebe a luz acesa e entra para um resto de conversa, um resto de amizade, um resto de desejo de compartilhar momentos de silêncio, de olhar para o vinho e perceber as lágrimas que escorrem da taça e da alma da gente.

Correnteza

Havia chovido muito e a rua detrás de casa estava inundada: a água que corria entre o meio fio e o asfalto se parecia com um rio ao meus olhos de menina. Aos meus olhos e aos do meu irmão. Não nos arriscávamos naquele rio, ficávamos na beira, olhando, olhando. Tudo parecia grande e profundo, e o medo de enviar o pé num caco de vidro – as palavras de minha mãe ressoando em nossas mentes – nos impedia de adentrar a corrente.

Até que avistamos um pardal, pequeno, pequenino, lutando contra a correnteza. Frente a uma criatura tão frágil lutando tão bravamente para sobreviver, esquecemos, meu irmão e eu, dos dizeres de minha mãe, adentramos a enxurrada e andamos na direção do pobre pardal. Eu o peguei nas mãos, ou talvez meu irmão o tenha pegado, ele ainda se debatia, encharcado, tentando se livrar do nosso cuidado. Trouxemos o pequeno pássaro para dentro de casa. Não me lembro ao certo, mas tenho quase certeza de que minha mãe olhou repreensiva a princípio, mas aos poucos se deixou amolecer pelo nosso cuidado com o pequeno bichinho. Ela mesma foi até o quarto, trouxe o secador de cabelo, uma caixa de sapato e uns pedaços de jornal. Ela não nos mandou direto pro banho, mas deixou que a gente cuidasse do nosso mais novo amor.

E cuidamos. Cuidamos com cuidado, cuidamos com amor. Amor de criança que ainda não sabe como cuidar, que exagera, que estraga. Secamos o bicho, acariciamos o bicho, lhe preparamos uma cama e uma casa, talvez tenhamos deixado até um pouco de comida para ele. Mas criança não sabe o que pássaro come, e não me lembro exatamente como tentamos matar a fome do nosso novo animalzinho de estimação.

Fomos, então, dormir, felizes, satisfeitos da nossa missão. Meu irmão e eu dormíramos heroicos, havíamos salvado uma vida, por mais pequenina que fosse. Cuidamos de um ser pequeno que precisava da gente, antes de qualquer coisa, ele precisava da gente.

Mal amanheceu, meu irmão me chamou na cama e fomos juntos velar pelo nosso animalzinho. Chegamos silenciosos e afoitos ao mesmo tempo, numa ansiedade daquele que erra ao tentar fazer tudo da forma mais perfeita. Nosso cuidado, no entanto, não fazia mais sentido. O bicho já estava morto na caixa, quase endurecido. Eu não vi nos olhos do meu irmão a mais leve tristeza. Ele, por sua vez, não pôde perceber a minha profunda frustração. Pedimos à nossa mãe a enxadinha de meu pai, fomos até o quintal, cavamos um buraco e ali fizemos o enterro do pequeno animal.

O quintal, hoje, não é mais o mesmo. Eu não seria capaz de adivinhar onde está enterrado o nosso primeiro pássaro. Mas sei que ali, atrás da minha casa, foi velado, pelos meus olhos de criança, o meu primeiro amor, o meu primeiro cuidado. E a cruz de gravetos que durou apenas um dia sobre o pequeno túmulo improvisado me faz lembrar que não basta apenas cuidado, sendo preciso muito mais desejo para encontrar as respostas para tanto enigma que a vida carrega em si.

Risqué

Para Juliana

Depois de passado o óleo secante, a manicure segura minhas mãos de jeito delicado, olha para as unhas – bonitas como só seriam depois do fruto de seu trabalho – e diz que aquela não era minha mão. Meu intuito foi dar um puxão, esconder-lhe os dedos, indagar-lhe o que significava tão estranha afirmativa. Como aquela não era minha mão? Mas não puxei. Ela ainda segurava minhas mãos com doçura, percebeu minha perplexidade e explicou que o tom claro do esmalte não combinava comigo. Não, não era que aquela não era minha mão. Era que aquela não era a minha cor. A pergunta evidente era qual seria, então, a minha cor. Mas não perguntei.

Certa vez cheguei às pressas – minto, sempre chego às pressas – na manicure. Com o espírito ainda aturdido, pedi a ela uma cor poderosa, dali a um dia eu teria uma reunião importante, e não podia mais ser chamada de menina. “Menina?” ela me perguntou. Sim, há dois dias me chamaram de menina. Vasculhamos então seu pantone de esmaltes, selecionamos tonalidades, nomes maduros, e saí de seu salão confiante. Com aquelas unhas, o salto alto e uma camisa clássica ninguém ousaria me chamar de criança.

Com poderes de cartomante, iniciada nos mistérios da quiromancia, a manicure lê meu espírito apenas olhando para os detalhes de minha mão. Na semana seguinte, pedi a ela uma cor opaca, desapercebida, encolhida. Cor de quem não vê e não quer ser vista. “Não quer mais parecer poderosa hoje?” ela me pergunta. Dou de ombros. Hoje? Pouco me importa, melhor que nem me vejam.

Sumo por algumas semanas e volto com as unhas em frangalhos. Com a mesma delicadeza de sempre, a manicure pega minhas mãos, lixa as unhas, arruma os cantinhos, tira o excesso de cutícula, passa um creme e me pergunta se estou bem. Digo que estou. Ela insiste, está bem mesmo? Sim, e por que não estaria? Olho para o esmalte que escolhi, a cor quase transparente. Eu, quase transparente. Ela responde que estou sem brilho. Respondo que deve ser impressão. Olho para o esmalte. Não, Ju, não é impressão.

Volto, como toda semana, e trago uma cor nova. Ela olha o roxo intenso e sorri. Sorri aquele sorriso de quem sabe que a Adriana, a Adriana colorida, voltou. “Onde você comprou esse?”, me pergunta. Digo que andei fuçando por aí, e achei que ela não teria aquela cor tão diferente. Não tinha mesmo. Digo a ela para deixar lá, para outras pessoas usarem também. Ela guarda. “Esse é para os dias que você está feliz”, ela pensa, mas não me diz.

Hoje, saí da manicure e cheguei em casa com uma mão que não era minha, pintada de uma cor que não me pertence, trazendo a certeza de que ela é uma artista das cores e das almas, com poderes supremos de ler o meu espírito e de desvendar as cores presentes no meu coração.

Dias a fio

De todos os seus talentos, era a sua capacidade mágica de fazer chover nos dias secos o que mais me acalmava o coração. Sereno que vinha do céu e de seus olhos cansados, cansados de velar, dias a fio, a terra seca e o meu amor sem direção.

O porco e a travessia

Aquilo na nossa frente era uma cabeça de leitoa. Nada fora do normal para um almoço de Natal em família. O problema foi o desafio de meu irmão: duvido que você come a cabeça. Eu, a mais nova, precisava provar, com os meus oito anos, que era capaz de vencer meu irmão. Juntos, devoramos tudo que encontramos dentro do esqueleto do bicho já falecido. Só restou o olho. O olho eu não como, ele disse. Era a minha chance. Era tudo o que eu precisava. Sem pensar, meti meus dedos pequenos no que restava do bicho, arranquei-lhe o olho e botei na boca.

A cena tem algo de monstruoso, mesmo para mim, que nem de longe sou vegetariana, que nem de longe fico a pensar na morte dos animais presentes em nossas mesas. Duas crianças disputando o mais difícil, o mais impensável, e foi a pobre cabeça de leitoa o que restava na nossa frente, pronta para ser devorada não pelos nossos estômagos, mas pelos desejos de bravura de dois irmãos que disputam a atenção e a glória dos que estão por perto. O olho ingerido, ao final, era apenas um detalhe, o importante era a vitória.

Detalhe ainda presente no meu cotidiano: no livro lido sem prazer, apenas para finalizar a bibliografia de um concurso; no relatório feito de madrugada, apenas para cumprir o prazo e terminar o projeto a tempo; na ligação feita às pressas para a amiga, apenas para cumprir tabela e lembrá-la de que sou, sim, presente e afetuosa; no presente comprado de véspera, sem nem pensar na alegria daquele que vai recebê-lo; nos jantares que vou e morro de sono e de falta de prazer, apenas porque tenho que ir, simplesmente.

O que importa, muitas vezes, é o resultado, a finalização, e não o processo, e não a travessia. E vou aos poucos me empanturrando de olho de porco porque me esqueço do caminho, do sabor, dos minutos que passam, do sorriso de quem está ao lado. É quando prefiro a casa fechada por preguiça de abrir as janelas. É quando deixo de atender o telefone para não ser perturbada. É quando o final vale mais do que a vida em si, quando meu olhar vitorioso para o meu irmão vale mais do que o prazer de tê-lo ao meu lado nos lambuzando de carne de porco.

E como não ser assim? Como voltar e dar um passo atrás, largar mão da disputa e preferir o cuidado, a parceria, o companheirismo? Talvez a saída seja se deixar encantar pelo sabor da carne e esquecer o prazer da vitória. Talvez seja tirar o fone de ouvido e ouvir o barulho da rua enquanto se caminha. Talvez seja desligar o celular e olhar fundo nos olhos daqueles com quem nos sentamos à mesa. Talvez seja valorizar os projetos mais do que os prêmios. Talvez seja amar o trabalho mais do que o dinheiro. Talvez. Talvez.

 

Um remédio para o cansaço

A menina tentava um sorriso, mas era evidente o esforço que fazia frente aos 38,5 de febre. Na saída do consultório médico, a mãe estava mais aliviada: o diagnóstico de virose afastava outras possibilidades de maior risco. Apesar da febre, aquilo não era quase nada. Só tomar bastante água, 3 vezes por dia desse remedinho, e em pouco tempo a menina estaria bem.

Percebendo a filha tão cansada, a mãe tenta alegrá-la e diz que ela pode escolher o que quiser para o almoço. Qualquer coisa? Sim, qualquer coisa! Qualquer coisa mesmo, mãe? Sim, filha, qualquer coisa. O problema é que a mãe não compreendia que o prazer infantil não é formado por sabores exóticos e especiarias. Ao contrário de tudo aquilo que ela mesma desejaria em um momento extremo de cansaço – sashimi de salmão, queijo minas com doce de leite, picanha muito mal passada, vinho malbec, tábua de queijos, sorvete de macadâmia, café Brazópolis coado, ovo caipira cozido com azeite e uma pitada de sal, caipirinha de limão com manjericão, linguado ao forno com cheiros de alecrim, purê de batatas com caldo de carne de panela – a menina sonhava com as surpresas que saíam de dentro da caixa do McLanche Feliz.

Não era o sanduíche sem graça que ela desejava, tampouco as batatas fritas ou o refrigerante. Ela bem sabia que em casa tudo aquilo era melhor e mais saboroso. O que dava prazer à menina era a surpresa, era a alegria dos novos brinquedos, era o cheiro de novo das pecinhas que brotavam de dentro da caixa.

Lá se foram, mãe e filha, para a lanchonete. Enquanto a menina brincava com os novos bonequinhos, o sanduíche ficou esquecido num lado da mesa. A mãe, faminta, passa a beliscar a batata: de tão preocupada com a filha esqueceu-se da sua fome. De dentro da bolsa seu telefone vibra: é o marido querendo notícias. Percebendo a voz exausta da mulher, promete a ela que fará uma surpresa para o jantar, só para ela, só para os dois.

Ela desliga o telefone, olha fixamente a filha que brinca com aquelas pecinhas frágeis e pensa no sabor do sashimi de salmão se alastrando pela sua boca. Frente ao cansaço extremo não há nada mais sublime que o prazer – qualquer prazer – que faça lembrar a alegria de sermos seres humanos e estarmos vivos, prazer que vence a vontade de morte e de descanço eterno. A mãe sorri, sabe que finalmente vai descansar e encontrar alívio de tantas obrigações. A filha brinca e se esquece da luta travada com seu pequeno corpo. As duas agora envoltas numa atmosfera de alegria e prazer frente à vida.